sábado, 19 de março de 2011

A universidade que temos, e a universidade que queremos

    Esse é o slogan do SindIFES, Sindicato das Instituições Federais de Ensino Superior de Belo Horizonte e região. Ontem, almoçei no bandeijão, após uma longa manhã  fazendo a matrícula de 10 calouros do curso de Comunicação Social, que só foram chamados por causa do ENEM, nunca antes na história do curso foram chamados tantos excedentes.
   Devido ao perfil dos calouros atendidos, e ao que observei no bandeijão pensei nesta máxima longamente ontem. É fato que os programas sociais do governo Lula junto às Universidades Federais melhorou-as fantasticamente, e isso é a universidade que queremos. Observei isto pelo perfil dos alunos atendidos ao fazer suas matrículas. Principalmente porque haviam alguns alunos da noite no atendimento, e esses são diferentes, são gente como a gente, literalmente. Percebe-se isso em 5 minutos de conversa.
  Mas, ao almoçar no bandeijão, ainda percebe-se que há muito o que se caminhar. O bandeijão é praticamente uma avenida Paulista da universidade, todos os credos se juntam ali, branco, negro, pobre e rico. E principalmente pobre e rico, a comida é barata, aluno não carente paga R$2,85, aluno carente, R$0,90 centavos. E isso atrai todos para ali, fazendo perceber-se mais claramente ainda, o vão que separa a universidade que queremos da que temos.
   Ao meu lado, sentou-se uma aluna carente, com sua caixa de isopor a tiracolo, nessa caixa não perguntei pois sabia o que havia ali, docinhos para vender. Ela depende daquilo para comer no bandeijão, todos os dias... A mãe, vive na cama, doente, o pai, nunca soube se  vive. Mas, ela é universitária, não perguntei de qual curso, e crê nisso para mudar sua vida. Pensei então numa prima minha, aprovada em 2° lugar no curso de farmácia nesse ano. Ganhou um carro por causa da aprovação, e uma viagem de um mês com o namorado, bancada pelos pais dos dois, para Orlando.
   Em suma, quanta diferença entre 2 alunas da mesma instituição. Isso me entristece, mas, pelo menos, penso no quanto é importante o meu trabalho no meio disso tudo. Pergunto-me o que mais posso fazer para ajudar a melhorar esse quadro cada vez mais, a integração entre os dois viés de alunos do meu curso, tende a melhorar, mas, o referido fosso ainda é perceptível, e é com ele que devemos acabar.
   E você leitor, o que tem feito nesse sentido?

4 comentários:

Josy Poulain disse...

Tenho que concordar, realmente o auxílio ao estudante melhorou na última gestão, no entanto ressalto que ainda há muito a melhorar. A assistencia estudantil tem que deixar de ser mão de obra barata, o CRE dos alunos não precisa ser critério de seleção, além de tamanha burocracia que os alunos enfrentam antes de conseguir um auxílio. E a gente sempre pode contribuir, participar, se interar dos processos, já é um começo.

Andarilho disse...

Para eliminar o fosso entre o aluno rico e o aluno pobre, não fiz absolutamente nada. Apenas sintomas de um problema muito mais grave e além da universidade, inerente ao nosso sistema de desigualdades.

Tenho feito muito em outros sentidos, principalmente por mim mesmo, mudando-me para mudar o mundo ao meu redor.

E você? Além de ponderar e matricular, que mais tem feito, escritor?

Mensageiro disse...

Diminuir o fosso é impossível sozinho...
Mas, se cada um se predispor a fazer sua parte já é um bom avanço.
Na medida do possível, sabes melhor q muitos q sou uma metamorfose ambulante para me adaptar ao meio em q me encontro.
Mas,s infelizmente isso irrita muito, ou no mínimo bastante, as pessoas ao meu redor. Né?

Andarilho disse...

Au contraire, meu amigo. A mim sempre pareceu que você tentava moldar o mundo para se encaixar em você, em vez de se adaptar a ele. Você se mantinha estático em certos paradigmas, mesmo quando a vida lhe mostrava novos caminhos.

Não estou julgando, cada um trilha o que lhe convém. Apoio suas escolhas, se você crê fazê-las acertadamente.

Eu não me lembro de ninguém se irritando com você. Lembro-me, contudo, de você se irritando e partindo.